31.3.18

Tradição e História


Do Monte de São Brás ao cimo da Serra da Pescaria, houve desde sempre uma vontade dos que defendem a história do lugar onde nasceram, em escrevê-la. Contar o que vem detrás. É o que é este livro de poucas páginas, para uma história que começa no séc. XVI e rapidamente chega aos nossos dias. José António Caneco era um dos interessados na história, acérrimo defensor das tradições locais. Para quem procura uma espécie de breviário do que foi e é a praia, este é um volume perfeito para ler. Ali está a história da formação da Nazaré com os Ílhavos, a autoridade que a mulher impôs na casa de família, as artes de pesca, os barcos, o desenvolvimento da sociedade. E contam-se pequenas estórias de que o autor tanto gostava de ouvir. De leitura fácil, sem rodeios.

(...) Tendo por prato forte o badejo, previamente escalado e salgado - tal como o bacalhau - e cozido com batatas, a festa corria sempre animada com cantares à desgarrada ao som de instrumentos musicais e improvisados (pinhas, cântaro, abano e garrafas com garfos de ferro),
O azeite e o vinho corriam a jorros para as travessas, pratos e copos, depositados sobre as esteiras, onde, sentados no chão, ou recostados sobre os cotovelos, os convivas iam deglutindo a seu bel-prazer, à mistura com descantes e uma ou outra dança desatinada.(...)

Nazaré - Tradição e História
José António Caneco
recolha de textos de Fernando Barqueiro, ed. CM Nazaré, 1999

Sem comentários:

Enviar um comentário